Como criar Porquinhos-da-Índia?

Essa fofura máster da foto em destaque é a Angelina, nossa porquinha-da-índia. A Angelina foi o primeiro bichinho de estimação da minha filha, presente no seu aniversário de 3 aninhos.

Tive muitos porquinhos-da-índia quando eu era pequena, mas quando adquirimos a Angelina, eu me encontrei em um vácuo de informações sobre a espécie. Queria oferecer a melhor condição possível, mas sabia muito pouco da época da faculdade e as informações disponíveis na Internet pareciam um pouco contraditórias (e realmente eram).

Passamos hoje aqui para deixar um pouquinho de informações para você que está escolhendo o animal de estimação ideal pra sua família ou que já tem um porquinho-da-índia como pet e como nós, iniciou cheio de dúvidas.

Os Porquinhos-da-índia, ou cabaias (Cavia porcelus) são roedores e receberam esse nome estranho devido aos gritinhos (gritinhos é gentileza da minha parte) que eles costumam dar. Sim, eles gritam, principalmente para pedir comida ou quando estão assustados e isso não significa exatamente que estejam morrendo de fome ou sentindo dor, essa é a forma normal de eles se comunicarem. Já vi algumas pessoas estranharem os sons, mas pra quem está acostumado é bem bonitinho, além do que, como eles são muito inteligentes logo nos reconhecem e aprendem a nos chamar e isso é bastante recompensador. Além dos gritinhos, eles também podem ronronar e os machos fazem um grunido mais grosso para chamar a atenção das fêmeas. Aliás, os porquinhos-da-índia não são originário da Índia e sim aqui da América do Sul e receberam esse nome, por que foram levados para a Europa pelos primeiros desbravadores que acreditavam ter chegado às Índias.

São animais pequenos (a maioria pesa menos de 1Kg) e que geram poucos custos quando comparados a um cachorro e quando bem cuidados podem viver cerca de 8 anos. Eles ficam bastante dóceis quando são criados em contato com os humanos e se prestam às brincadeiras das crianças. Mas cuidado, alguns podem morder.

Geralmente eles são criados dentro de gaiolas grandes, se for esse o caso, é necessário tomar muito cuidado para eles não fazerem feridas nas patinhas pelo contato direto e contínuo com a grade. Para proteger o fundo pode se utilizar folhas de couve ou papelão sem tinta. Devemos evitar o uso de jornal ou outros substratos que podem ser ingeridos e levar a intoxicações ou contaminações. Entretanto, o ideal é cria-los soltos no quintal ou em um viveiro para que possam cavar a terra e saltitar a vontade.

Seu espaço deve conter, bebedouro com água sempre limpa e fresca, comedouro, esconderijo e brinquedos adequados para serem roídos. Caso fiquem no pátio, lembre-se de fornecer abrigo contra a chuva e o calor e se ficarem dentro de casa, lembre-se que precisam de alguns minutinhos de sol direto (não vale através do vidro) diariamente. Seus dentes crescem continuamente, por isso precisam ser gastos durante a alimentação e também roendo brinquedos de madeira não tratada. É muito importante deixar o seu ambiente limpo, as fezes e urinas acumuladas podem trazer problemas de saúde graves.

Eles não devem ser alimentados com sementes (atenção pois algumas rações comerciais contém girassol, amendoim ou outras gulosices inadequadas), ração de qualidade, feno, verdes escuros e talos frescos, e como prêmio, pedaços de frutas e legumes são a dieta adequada. Nada de oferecer comida de humanos, ok!? Nem uma bolachinha!!! Os porquinhos-da-índia necessitam de suplementação de vitamina C por toda a vida, converse com seu médico veterinário sobre qual a melhor forma de oferecê-la.

Diferente do que se comenta por ai, eles não devem tomar banho de mármore. O banho de mármore é uma necessidade exclusiva das chinchilas e não deve ser oferecido às cobaias, hamsters ou outros roedores.

Os porquinhos-da-índia atingem a maturidade sexual em torno de 3 a 4 meses de idade, tem gestação de 63 dias e nascem de 2 a 4 filhotes por parto, portanto se for criar mais de um (o que é uma ideia bacana pois são bastante sociáveis) é melhor escolher animais do mesmo sexo – de preferência fêmeas – ou optar pela castração. É muito importante lembrar que as fêmeas que não se reproduzirem antes de completarem 1 ano de vida, não devem, de forma nenhuma, ter gestações posteriores a isso pois a chance de problemas no momento do parto são muito grandes nestes casos.

Caso opte por reproduzir os seus animaizinhos, sempre o faça com acompanhamento veterinário. Ao contrário de outros roedores, os pais participam ativamente do cuidado dos filhotes e não devem ser separados da mãe após o nascimento da ninhada. Os filhotes nascem com pelos e aptos para andar e se alimentarem e o desmame deve ocorrer por volta de 21 dias de idade.

Eles são bastante territorialistas, quando for levá-los ao veterinário, se possível leve em sua gaiola ou pelo menos seu bebedouro, comedouro e toquinha, para que ele se sinta um pouco mais a vontade.

Lembre-se que o médico veterinário é o melhor amigo do seu animal de estimação, sempre que tiver dúvidas ou que seu bichinho não esteja se sentindo bem, não exite a procurá-lo o mais rápido possível.

Abaixo seguem duas fotos, a primeira do dia que a Angelina chegou na nossa vida e a segunda de como o espaço dela foi adaptado depois. Descobrimos rapidinho que nada ficaria imune a seus dentinhos e seu apetite por verde e adaptamos um cercado que hoje divide o quintal. Note que não foram necessários grandes investimentos nem muito espaço.; ali ela consegue explorar o solo e troncos de madeira, além de se proteger das intempéries e de possíveis predadores (no caso, os gatos da vizinhança). Hoje ela convive (e muito bem) com o Luigi (outro porquinho-da-índia, com a Sara (uma coelha) e com a Lola nossa cachorrinha.

Dia que a Angelina entrou na nossa família. O tipo de substrato utilizado na gaiola não era adequado e logo a gaiolinha ficou pequena para ela.

Algum tempo depois providenciamos um espaço no quintal com tijolos, troncos e canos, logo descobrimos que nada ficaria a salvo do seu apetite por verdes.

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